Testemunho – Profissional de Babysitting

Publicado em 2017-11-17

Com o empreendedorismo a correr-lhe nas veias, a nossa formanda Mafalda – do curso de Auxiliar de Educação Infantil e Babysitting – já começou a montar o seu próprio negócio. A Nanny Mafalda é um serviço de Babysitting, que já recebeu boas críticas!

A Mafalda escreveu-nos também o seu testemunho acerca do seu trabalho enquanto babysitter e de como é possível que esta profissão seja o principal sustento da sua vida!

Mafalda, torcemos pelo teu sucesso!

 

O que é ser Babysitter?

Cá em Portugal não se ouve muito falar em Babysitting porém, não deixa de ser uma actividade que se encontra em crescimento. Uma das razões passa pelo facto de sermos um país cheio de turistas que estão habituados a estes serviços nos seus países e a outra razão é que os pais cada vez mais têm menos tempo ou pretendem um acompanhamento mais personalizado para os seus filhos.

Imagem meramente ilustrativa.

Mas o que significa realmente ser babysitter? Qual é o trabalho que o/a babysitter faz? Pois bem, acho que é algo que devemos esclarecer bem.

 

Em primeiro lugar, o/a babysitter é uma companhia para a criança. Não podemos considerar em nenhuma ocasião que somos educadores ou que estamos a fazer o papel dos pais na sua educação. Isto não é verdade. Obviamente que o/a babysitter deve ter conhecimentos para poder ter uma intervenção mais correta na vida da criança (conhecimentos em psicologia infantil, em desenvolvimento infantil, nutrição, cuidados básico de saúde, etc), porém, o/a babysitter não faz o papel de um professor ou educador na vida da criança. O/A babysitter deve realizar actividades que estimulem o desenvolvimento da criança, que a divirtam e que a formem como cidadã (por exemplo, aconselhar a criança a cuidar da natureza, a respeitar os outros, etc.).

Em segundo lugar, gostava de salientar que o/a babysitter é um auxiliar dos pais. Quando uma família contrata um/a babysitter a maior parte das vezes não é porque vão sair à noite e precisam de alguém para ficar com as crianças. A maior parte das vezes os pais estão desesperados porque não têm conhecimento de como lidar com as crianças (especialmente no primeiro ano de vida). Portanto, aquilo que nós julgamos ser básico, para muitos pais não o é. Por tanto o/a babysitter têm como obrigação nunca julgar as atitudes dos pais, ajudá-los e transmitir-lhes segurança de que estão a fazer um bom trabalho.

 

Criança cumprimenta a babysitter

Imagem meramente ilustrativa

 

Outras perguntas que me colocam com frequência são: “Como é que aguentas este trabalho?” “Pagam-te bem?” ou “Não tens medo que as famílias não gostem de ti?”.

 

Na minha opinião, nem todos conseguimos ser babysitters. Ser babysitter e trabalhar nas casas da família é completamente diferente do que trabalhar numa escola como auxiliar. Na minha opinião, um/a babysitter deve ter a energia de uma criança de 10 anos, a criatividade de uma criança de 6 anos, a atenção de um adulto de 30 anos e a paciência de uma avó de 60 anos. Ser babysitter não é nada fácil pois temos de conseguir acompanhar a criança durante várias horas sem a aborrecer. Temos de ter noção de que se a criança quiser correr, nós estamos lá para correr com ela e que a temos de motivar com as mais variadas brincadeiras que acabamos por ter de inventar para as entreter. Temos de lhes dar conselhos, ser bastante pacientes para eventuais birras e flexíveis o suficiente para lidar com elas. Honestamente as crianças são bastante fáceis de lidar, se lhes dermos atenção suficiente e nos tornarmos amigas delas, é bastante fácil de marcar a diferença nas suas vidas.

Fui, pela primeira vez, a casa de uma menina de 10 anos e numa das nossas conversas perguntei-lhe se ela já tinha tido outras profissionais de Babysitting no país onde ela morava. Ela respondeu-me que sim. E num tom de brincadeira perguntei-lhe se eu estava a ser muito má babysitter. Ela levantou os olhos do desenho que estava a fazer e respondeu-me “por acaso estás a ser a melhor. As minhas outras babysitters estavam sempre ao telefone e não me davam muita atenção”.

Como podem ver, as crianças sentem estas coisas. E é por isso que não tenho “medo” de que as famílias possam não gostar de mim. Eu tenho consciência de que trabalho com o coração e que sou profissional e amiga das crianças. A partir do momento em que conquistamos as crianças, as suas famílias ficam-nos agradecidas.

A nível de pagamentos, é possível viver do Babysitting. Porém temos de ter noção de que é um trabalho instável e que temos de estar sempre a fazer publicidade ao nosso trabalho. Os pais pedem sempre referencias e nas entrevistas aconselho sempre a levarem a vossa identificação e comprovativo de morada. Os pais ficam sempre com esses registos porque não vos conhecem e têm de se certificar que se alguma coisa acontecer às crianças vos podem responsabilizar por isso.

 

Mas como é que posso promover o meu trabalho como babysitter?

 

Obviamente que ter uma página com relatos dos pais é uma grande ajuda para difundir o trabalho mas atenção às fotografias não autorizadas dos vossos trabalhos com as crianças. Certifiquem-se sempre que os vossos pais autorizam a exibição de fotografias pois podem arranjar problemas ao porém essas imagens nas redes sociais. Porém, o vosso trabalho por si só vai falar mais alto. Se forem bons profissionais, as famílias com quem vocês trabalham vão vos certamente recomendar e não vos vão querer perder de vista.

É certo de que tenho imensas histórias e exemplos para contar, várias actividades que faço com as crianças desde os 6 meses até aos 15 anos mas isso quase dava para um livro.

De qualquer das formas sublinho que devemos fazer pesquisas constantes pois tudo aquilo que estudamos é direccionado paras as crianças no geral e nós lidamos com crianças individuais. Aquilo que se aplica a uma certamente dificilmente se vai aplicar a outra. Falar com profissionais de saúde, educadores, terapeutas e psicólogos vai ajudar o nosso trabalho a ficar mais completo e a nossa intervenção junto da criança certamente será melhor.

Para concluir, gostava de relembrar que ser babysitter é um trabalho bastante gratificante pois os pais escolhem-nos para acompanharmos os seus filhos enquanto eles não podem estar presentes. Eles põem nas nossas mãos o que têm de mais importante na vida. A nossa obrigação é tratar destas crianças com o todo o amor que conseguimos dar.

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